Estatísticas em campo: No duelo das piores defesas, Vasco e Fluminense mostram equilíbrio nos números

É apenas a 11ª rodada, mas Vasco e Fluminense já entram no campo de São Januário neste sábado (20), às 11h, pressionados pela zona da degola. Ambos têm nove pontos, e estão exatamente acima do Z-4, aberto pelo Cruzeiro com o mesmo número de pontos. Para analisar esse confronto, o Por Dentro do Gol levantou as estatísticas dos dois clubes no Brasileirão.

Apesar de ter melhorado depois da chegada de Vanderlei Luxemburgo, os números evidenciam que o Vasco ainda não tem uma maneira sólida de jogar. Já o Fluminense, ainda que com um estilo de jogo bem definido, não fez valer as estatísticas a seu favor.

Confira a seguir os principais dados dos rivais:

Piores defesas

Para quem quer vencer e sair da incômoda briga contra o rebaixamento, não ser vazado é essencial. Contudo, nesse quesito Vasco e Fluminense têm feito feio e lideram o ranking negativo de pior defesa do Brasileirão. A zaga vascaína, com 16 gols sofridos, só não é pior que a do tricolor, que já foi buscar a bola do fundo de suas redes 17 vezes.

Participação dos goleiros

O problema não está só nos jogadores de linha que compõe a linha de zaga. Até aqui, os goleiros tanto de Vasco quanto de Fluminense não mostraram eficiência no seu trabalho e contribuíram para os números ruins das defesas.

Do lado cruzmaltino, Alexander, Sidão e Fernando Miguel já defenderam a meta vascaína, mas juntos acumulam apenas sete defesas consideradas difíceis ao longo das dez rodadas do campeonato.

O goleiro Fernando Miguel esfrega as luvas embaixo do gol em um jogo em São Januário
Fernando Miguel estava machucado no início do campeonato, mas nos últimos jogos voltou a ser o titular da posição (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)

Já os arqueiros tricolores Agenor e Rodolfo realizaram nove defesas difíceis no mesmo período. O Fluminense em busca de resolver o problema na posição, contratou recentemente o goleiro Muriel, mas o goleiro ainda não estreou.

O goleiro Rodolfo se escora nas redes em um treino do Fluminense
Suspenso por tempo indeterminado, Rodolfo vive o drama do doping mais uma vez na carreira (Foto: Lucas Merçon / Fluminense)

A nível de comparação, o CSA lidera a estatística com 17 defesas de alta complexidade. Jordi fez 16 defesas e João Carlos efetuou uma defesa.

Cartões

Para completar as estatísticas de defesa, destaque para a marcação pesada do tricolor carioca. Apesar de Vasco e Fluminense terem praticamente a mesma quantidade de faltas, 143 e 142 respectivamente, a intensidade dos jogadores tricolores se destaca pelas advertências dos árbitros.

O time que ganhou apelido de “guerreiro” em 2009 por mostrar muita luta em campo, neste ano justifica o apelido de outra forma. Com 33 cartões, o Fluminense lidera o ranking de punições. São 30 cartões amarelos e três vermelhos. O tricolor ainda tem no seu elenco o jogador mais amarelado do campeonato: Allan. Das 22 faltas do volante, seis vezes ele ficou pendurado e em uma ocasião foi expulso.

O volante Allan conduz a bola em um Fla-Flu no Maracanã
Allan é o motorzinho do time quando tem a posse de bola, mas na marcação não tem acertado a medida. Já são sete cartões em dez rodadas (Foto: Felipe Duest / NB Photopress)

Pelo lado vascaíno, os números indicam que a marcação é mais leve. São 19 cartões amarelos e apenas um vermelho. O jogador mais violento no combate aos adversários é o Lucas Mineiro, que em 12 faltas foi amarelado quatro vezes.

Lucas Mineiro tenta roubar a bola de um jogador do Fortaleza no Castelão
Lucas Mineiro é o volante de contenção do time de Luxa, por isso é o jogador mais faltoso da equipe (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)

Chegada ao ataque

O problema não está só lá atrás. Quando as equipes chegam ao setor ofensivo, não conseguem ser tão efetivas quanto seus adversários. Mais uma vez com equilíbrio, Vasco e Fluminense acumulam 127 e 128 finalizações respectivamente. Números distantes das 148 tentativas do Flamengo, que é o time mais finalizador do campeonato.

Tanto é, que os rivais deste sábado têm números muito parecidos quanto ao perigo que levam ao goleiro adversário. O Vasco forçou os arqueiros rivais a fazerem 13 defesas difíceis, enquanto o Fluminense exigiu 14 intervenções.

A dificuldade de conclusão em gol também fica evidente nas estatísticas de passes para gol. O Gigante da Colina é o pior do campeonato no quesito, com apenas duas assistências. O tricolor, no entanto, não é muito melhor com seus garçons que só serviram companheiros seis vezes nas dez primeiras rodadas. O Flamengo também lidera esse quesito com 18 passes açucarados.

Passes e posse de bola

Apesar de próximos na tabela, o Vasco em 16º e o Fluminense em 15º, os times vivem momentos diferentes em relação a comissão técnica. Luxa estreou no cruzmaltino há dois meses, enquanto Fernando Diniz começou a treinar o Flu desde o início do ano. Luxemburgo tenta arrumar a casinha e muitas vezes dá a bola ao adversário com seu time atrás da linha da bola, enquanto Diniz prefere ter a bola nos pés e construir jogadas desde o campo de defesa.

Luxemburgo cumprimenta a torcida em São Januário
Luxemburgo chegou no Vasco para tirar o time da lanterna do Brasileiro (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)

Os números são nítidos quanto a isso, já que os 5.176 passes trocados pelo Fluminense o tornam líder no quesito. O tricolor também é o que mais acerta na competição, com 4.816 passes certos e 93% de aproveitamento das tentativas. Por outro lado, os 3.338 passes do Vasco o deixam apenas na 15º do ranking. O clube de São Januário ainda tem uma porcentagem menor de acerto de 88,8%, que representa 2.964 passes trocados com sucesso.

A troca de passes ainda evidencia outros duas estatísticas dos rivais cariocas. Por ter menos aproximação entre os jogadores, o time do Vasco tentou até agora 292 lançamentos para avançar em campo. A equipe de Diniz é o oposto, com 190 lançamentos, é o time que menos arrisca o passe longo. O Internacional lidera o ranking com 330 tentativas. O outro aspecto é a posse de bola, visto que a média de 57% de posse do Fluminense praticamente combina com a média vascaína de 44%. O que vai ser apresentado em São Januário não deve fugir disso.

Técnico Fernando Diniz fala com a imprensa em entrevista coletiva
Apesar da equipe de Diniz jogar bem, o time perdeu pontos no decorrer do campeonato (Foto: Lucas Merçon / Fluminense)

Pênaltis

Por fim, a curiosidade é em relação aos pênaltis sofridos no Brasileiro. Até a décima rodada o Fluminense é o time que mais teve penalidades máximas marcadas ao seu favor. Foram quatro cobranças ao todo, três convertidas e uma desperdiçada. Quanto a isso, o Vasco não fica para trás, pois, ao lado do Atlético-MG, soma três faltas sofridas dentro da área. Nenhuma delas foi desperdiçada. A coincidência reside nos únicos jogadores que já sofreram duas penalidades nesse Brasileirão: Yony González, do Flu, e Rossi, do Vasco.

Arbitragem

Escalado para partida, o árbitro Bruno Arleu de Araújo já apitou três jogos da série A do Campeonato Brasileiro deste ano. No total, já marcou 107 faltas, sendo 56 para o mandante e 51 para o visitante, o que mostra que não pode ser considerado um “juiz caseiro”. Com média de 35,7 faltas por jogo, prefere não deixar o jogo correr muito para não perder o controle. A estratégia parece dar certo, de modo que ele aplicou apenas 15 cartões amarelo e um vermelho. Até agora, ele ainda não assinalou sequer um pênalti.

Confira a equipe de arbitragem que atuará na partida que abre a 11ª rodada:

*A reportagem foi baseada nas estatísticas fornecidas pelo FootStats.

Ivaldo Lobato

Sou estudante de jornalismo e comecei minha trajetória no radiojornalismo em 2017, quando fui repórter da rádio Top Rio Fm e da webrádio Rede Show de Bola, onde eu acompanhava o dia a dia dos quatro grandes do Rio e fazia a cobertura das partidas. Hoje em dia, sou estagiário na assessoria de imprensa do TCE-RJ e dedico o tempo livre que tenho ao que mais gosto: futebol.

Escreva um comentário...